Impossível não recordar neste domingo, aquele que herdei muito mais que os aspectos físicos. Ele foi, e sempre será para mim, a eterna criança sorridente, que fazia muito mais pelo próximo que por si mesmo.
Por vezes, fui a personagem desleixada e natural que meu pai gostava de retratar nas fotografias, seu orgulho, a menina sonsa que sorria sem inibição, para aquele que não cabia a suposta timidez. Hoje, sou eu quem admira a imagem do ser bem afeiçoado e de ego altivo, gravada por tempo indeterminado nas folhas plásticas das fotos.
Lembro-me do último dia dos pais que passamos juntos, um período muito próximo do último adeus. Sei que a saudade irá perdurar. Que bom, as pessoas duram, enquanto duram as lembranças. Neste domingo o ofereço flores. Flores para aquele que não está mais presente, flores de presente para aquele que homenageio aqui, hoje.




