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14 de jan de 2010

Fortaleza

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Que eu me encontre em mim, que é fortaleza, que muda, mas em essência continua a mesma; sempre porto seguro do meu próprio naufrágio, o afago quando tudo é pedra. E que assim eu me sinta completa, que eu me sinta completa, que eu me sinta plena.

7 de jan de 2010

Alívio

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Sentada na florida e antiquada poltrona da sua avó, Ana olhava espantada os móveis que ganhavam ares fantasmagóricos diante do abismo silencioso que se instalou após a saída dos seus parentes. A casa, sempre bastante movimentada, raramente exigia uma minuciosa atenção dos seus visitantes. A garota dificilmente parava na residência, encontrava silêncio ou não passava rápido para o seu próprio quarto. Parada naquela sala, com uma tigela de sopa no colo e o velho gato preto sentado aos pés, Ana sentiu todo o peso existencial de cada objeto deslocado e amontoado, que de uma forma bizarra fazia sentido para os outros habitantes daquela casa. O exagero de quadros era quase medieval. As fotos pintadas olhavam a moça como se pressentissem que ela fosse derramar o liquido âmbar com verduras flutuantes. Talvez fosse exatamente isso, o que o gato, parado a sua frente também esperava, já que a olhava quase com veneração. Ana mal se mexia, ao contrário do seu normal: hiperativa. A queda de uma xícara, em outro cômodo, a tirou do transe. O silêncio, escorregadio, escapou pela janela. O gato correu, a campainha tocou, o ar ficou mais rarefeito e o alivio se fez presente. Esquecendo de todo o resto, Ana foi atender a porta, a tigela caiu do seu colo... Do lado de fora, impacientemente gritavam o seu nome. Do lado de dentro, a garota suspirava em contento, pois a melança, ao menos, não foi sofá, como recriminavam os seus antepassados.

2 de jan de 2010

Choveu


Ilana Copque

Hoje o céu chorou e eu me molhei naquele pranto, bebi cada gota de chuva, cantei o meu silêncio. Pensei em você, pois a vontade extrapola a noção corpo, a distância diminuiu, por instantes te beijei.