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30 de mai de 2009

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Mudei-me para a toca em um dia ensolarado. A claridade excessiva quase me cegou. Era encantadora e agoniante a forma como a umidade do meu corpo se misturava ao clima seco e árido daquela cidade. Um belo balé de gotas fumegantes, brilhando diante da falta de vento.


Eu tinha uma quantidade mínima de moveis, dentre eles uma prateleira cheia de livros. A expectativa pelos novos amigos era grande, a vontade de ler era pouca ou quase nenhuma. O vazio se fez tão presente, que eu me sentia navegar em um oceano cheio de monstros ao deitar na cama. Por vezes fui resgatada pela música, bendito aquele que inventou o telefone.


Os dias foram passando junto com o ano. Fiz amizades, meu cabelo cresceu, adquiri o habito nômade e vivo daqui pra lá. Agora a toca não é tão vazia, divido-a com minha bagunça ordenada, esta já é crônica. A solidão existe somente quando o tédio e a saudade falam mais alto. No mais, divirto-me terrivelmente com a garota do espelho. É só fechar a porta que ela aparece.

27 de mai de 2009

Nem sempre é fácil encenar os diversos papeis que criamos diariamente. Boa amiga, boa filha, boa irmã, boa namorada. Quem vai se preocupar com o egoísmo prescrito nas entrelinhas?

Meu maior medo é o de sentir medo. É tão incrivelmente ruim perceber o pulso acelerar e a fala sucumbir diante de uma situação a qual achamos praticamente impossível haver ordem. Sei que sempre há um caminho, por pior que este seja. Pior que acredito que sempre há UM pior, independente do caminho. Talvez sejam estes os tais testes do destino que tanto falam, ou talvez eu seja apenas mais uma fatalista...maybe.

25 de mai de 2009

Pipas

Era fim de tarde quando me deparei com o colorido de suas roupas. Os reflexos alaranjados dançavam diante dos babados rodopiantes do amarelo manga e rosa choque. Talvez, para a platéia silenciosa que os observava a uma distância de vários oceanos, os traços mais marcantes fossem seus olhos rasgados e cabelos lambidos. No entanto, o que mais prendeu minha atenção foram os sorrisos tímidos, diante dos tons de cinza de suas vidas.

“Esquecidos por Deus” foi a primeira frase que me veio a cabeça. Era na laje de seus pensamentos, empinando esperança, que eles brincavam de ser meninos e meninas. Suas mães em tais momentos cheiravam a libido e a dinheiro. Pela barriga meio-cheia, a tradição prosseguia. Foi então que percebi que pior que Deus eram os homens.

Enxergar a mira de seus olhares com certeza não era desvendar os becos restritos do submundo em que viviam. Sempre achei engraçado como os “intelectuais”, em meio a champagne, gostam de contemplar a “bela miséria alheia”. Acontece que realidade por de trás da boa iluminação e ângulo, berra mais que a simples moldura permite mostrar.

Os rolos de vida em preto e branco me pareceram ainda mais longínquos e inalcançáveis da sala escura em que me encontrava. Recordando o tom chamativo de suas vestimentas tentei me animar, apesar de saber que aquilo era apenas mais um estratagema produzido por meus olhos e mente, a fim de entusiasmar o inanimável. Hoje, talvez, a "fama" e o "reconhecimento" oriundos do estrangeiro, permitam-lhes sorrir com mais frequência. No entanto, quem curará as outras milhares feridas do mundo? A sorte?










"Nascidos em Bordéis'


7 de mai de 2009

Acorda José

Era tão fácil ser estudante, que a única coisa que ele queria era não estudar. Tanto desespero, tanto comodismo e aprendizado... haja inútil matemática. O que José iria fazer quando sua vida de estudante acabasse?

Desde os 3, passaram 14, fim de mais uma etapa. Trabalhar nem pensar, aprender só por escutar, virou osmose. Faculdade, 4/ 5 anos passam rápido. O círculo do círculo, espiral constante. Vícios da fase, ele não queria fim. No entanto, estudar nem pensar.


-Acorda, José!
- Que saco, mãe. Hoje não tem aula, esqueceu?



Ilana Copque

5 de mai de 2009

Por ai

Ontem eu não estava aqui, tão pouco me encontrava lá. Poderia dizer que freqüentei o lugar algum, mas o algum me pareceu tão longe, que antes mesmo de chegar eu já havia me cansado dele. Cansei do caminho, mudei de caminho, persegui o coelho branco que dizia estar atrasado. Coelhos de tamanco e cartola rosa, era só o que me faltava.


Quando dei por mim, a toca já não era a rota. Tic TAC, tic TAC aquele barulho infernal mais uma vez. Para onde foi o bendito ser orelhudo? A pedra rosada no final do arco-íres era minha meta, e lá estava eu a seu encontro no navio do Capitão Gancho, onde tomei chá pelo meu desaniversário. O chefe índio e a sininho eram convidados, e mais rápido do que imaginava cheguei a Utopia, cidadezinha do sertão baiano, onde encontrei minha avó e a branca de neve a pegar um bronze.



Ilana Copque



2 de mai de 2009

O amor comeu meu nome

Havia um principio nas cores desbotas dos meus amores insatisfeitose, e eu os coloria com a saliva manchada do meu e do deles. A transparência do conteúdo era meu refugio, minha própria fantasia, era a terra onde apenas dois moradores residiam: eu e eu!


Por um instante detraída, entrei pela porta da imprudência e desviei para o mal do príncipe encantado. Foi ai que te encontrei a caminhar, tão solitário quanto o meu azul inconsciente


Ilana Copque

1 de mai de 2009

O contrário do inverso, é o inverso ao contrário

Estudante de idade irrelevante, apaixonada por cinema e um bom livro. Gosto de música de acordo com meu estado de espírito: meio pop, meio loucura em massa, meio só meu, meio dança em frente ao espelho, meio romântica, meio alucinógeno, meio bem a minha cara: de lua.

Sou um pouco na minha, bastante pé no saco, problemas e mais problemas, a resolução de muitos casos. Bagunceira, filha de minha mãe, cantora de banheiro, marida do meu namorado. Nem muito alta, nem muito hobbit, com sobrenome e ainda sem silicone. Ainda nana, meio banana, uma interrogação bem grande que carrega a mudança sem muito esforço.

Muitos acham que me decifraram a primeira vista, só que ao olhar de novo a página já é outra. As vezes considero o julgamento pior que a inveja, mas quem os escapa? Haja dicionário para descrever a humildade, haja vocabulário para auto-afirmações. Quem sabe amanhã eu não enjoe de tudo e refaça essa bagunça/ merda que chamam de perfil.

Continuo SEM END e gosto da minha metamorfose ambulante [ponto]

Agora vai

Ola pessoas, welcome to my strange world onde os peixes voam e as cigarras nadam. Enfim um espaço em que posso expor minhas alegrias, dúvidas, mentiras, dúvidas e mais mentiras...talvez eu adore viver de ilusão, talvez essa seja mais uma boa mentira. Espero que desfrutem de minha nova "morada", não reparando, é claro, no sofá em frente ao computador, na calcinha em cima da pia, na mancha de café no lençol de 1 mês ou ...bem, há coisas que é melhor não comentar...