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25 de mai de 2009

Pipas

Era fim de tarde quando me deparei com o colorido de suas roupas. Os reflexos alaranjados dançavam diante dos babados rodopiantes do amarelo manga e rosa choque. Talvez, para a platéia silenciosa que os observava a uma distância de vários oceanos, os traços mais marcantes fossem seus olhos rasgados e cabelos lambidos. No entanto, o que mais prendeu minha atenção foram os sorrisos tímidos, diante dos tons de cinza de suas vidas.

“Esquecidos por Deus” foi a primeira frase que me veio a cabeça. Era na laje de seus pensamentos, empinando esperança, que eles brincavam de ser meninos e meninas. Suas mães em tais momentos cheiravam a libido e a dinheiro. Pela barriga meio-cheia, a tradição prosseguia. Foi então que percebi que pior que Deus eram os homens.

Enxergar a mira de seus olhares com certeza não era desvendar os becos restritos do submundo em que viviam. Sempre achei engraçado como os “intelectuais”, em meio a champagne, gostam de contemplar a “bela miséria alheia”. Acontece que realidade por de trás da boa iluminação e ângulo, berra mais que a simples moldura permite mostrar.

Os rolos de vida em preto e branco me pareceram ainda mais longínquos e inalcançáveis da sala escura em que me encontrava. Recordando o tom chamativo de suas vestimentas tentei me animar, apesar de saber que aquilo era apenas mais um estratagema produzido por meus olhos e mente, a fim de entusiasmar o inanimável. Hoje, talvez, a "fama" e o "reconhecimento" oriundos do estrangeiro, permitam-lhes sorrir com mais frequência. No entanto, quem curará as outras milhares feridas do mundo? A sorte?










"Nascidos em Bordéis'


2 comentários:

Jueiqui disse...

Realmente, tem muito de você que eu ainda não conheço, Lana. Se publicassem esse texto em alguma coluna de algum blog por aí, dizendo ser de autoria de outrem, eu acreditaria tranquilamente. E nem sonharia em pensar que talvez você pudesse ter escrito isso aí. Sei lá, não é nada "so into you", sabe? Pelo menos não a parte do "you" que eu conheço.

Mas isso não é nada preocupante. Você é uma estudante de jornalismo e, também não me admira, que você sofra diversas evoluções na sua escrita/ideologia. Alias, ATÓRON mudanças pra melhor.

Três palavras pra você:
A
HA
ZOL

:*

Christi... disse...

Nossa ! Que texto é esse, fabuloso.

Amei.

Beijos