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18 de nov de 2009

Ao ritmo do vento

© Ilana Copque


Faltava ar, faltava ar. Faltava a coragem e a pose de fria indiferença. Talvez aquele fosse o seu elo mais difícil de romper, nem a morte soava tão complicada. A aliança que lhe acompanhou por tantas aventuras, agora se encontra segura no fundo de sua caixa de lembranças. A marca do aro ainda reclamava sua atenção na mão direita, recordando o que seria impossível de esquecer. Suspiros de lamentação já não podiam resolver o problema, que de uma forma estranha ganhava vida própria. De outra perspectiva o fato não seria considerado uma problemática, mas para aquele relacionamento, era o fim. Era o fim, era a dor, eram os prantos da dúvida e ironia do destino. Logo ela, que só acreditava em números repetidos. Mas talvez os números tivessem lhe alertado; da última vez tivera sorte no jogo. Tinha que prestar mais atenção na matemática irônica de sua vida. Agora lá estava ela, tão perdida e confusa quanto os seus personagens. Mais uma vez o fim do fim, do começo. Mais uma vez a tentativa de afogamento do passado, uma inutilidade de rasgos de fotografias e rompimento com qualquer outro tipo concreto de recordação. Tal ato, no entanto, é válido apenas para os romances baratos. ela preferia guardar todas as suas lembranças, não se desfazendo de nenhuma delas, pois já eram parte de si, como parte dele era a sua própria carne, que ainda lateja pela separação, mas que vibra diante do efeito da liberdade. O cheiro dele no travesseiro aos poucos perdia a nuança eficaz que lhe dava a calma necessária para o sono de toda a noite. Agora falta a tranqüilidade, agora há críticas, pois todos se sentem no direito de interferir e se preocupar com a sua vida, mal sabendo eles que a vida dela nunca foi tão dela. E o que é o amor, afinal, se não discursos? Pois que se apaixonasse a cada novo dia, que ela se apaixonasse a cada dia novo, pelo novo, pelo sol, pela chuva... que ela voasse ao ritmo do vento.

4 comentários:

DUDU disse...

e lá estava ela, nua....


E o fim novamente vira começo.

Diz disse...

É, é a vida...
Aqui ela não poderia voar com o vento iria parar muito longeeeeeeeeeeeee
Hj venta uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu
:)
Obrigada, qrda, pelas visitas, Laura

Larissa Araújo disse...

Amiga, pude imaginar tudo como está ai descrito. Adorei.

Sylvia Beirute disse...

gostei mt do lado poético:)