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29 de set de 2009

Lolita






Lá estava eu, distraída, fotografando nem lembro mais o que. Loly entrou no meu caminho fazendo diversas poses. Difícil resistir. A iniciativa com certeza não partiu de mim. Ela tem vontade própria.


28 de set de 2009

O Vale das Carroças



O dia de Francisca Suelda da Silva começa às 5h da manhã. Mãe de seis filhos, ela cuida da casa e das crianças antes de sair para o trabalho. Com vestes largas e o cabelo preso em um chapéu de palha, para evitar o calor e o sol forte, a jovem senhora, juntamente com seu marido, cata material reciclável pelas ruas de Petrolina. A carroça é o meio de transporte que proporciona a locomoção e renda da família.

Assim como Suelda, inúmeras pessoas no Vale do São Francisco têm como principal fonte de sustento os veículos puxados por animais, que representam uma considerável parcela dos transportes que circulam pelas cidades de Juazeiro e Petrolina. Apesar do barateamento de automóveis e motocicletas, para muitas famílias, que sobrevivem com menos de um salário mínimo por mês, é mais acessível e econômico ter uma carroça para executar os trabalhos diários.

O maior fluxo de carroças na região pode ser encontrado no mercado produtor de Juazeiro, espaço onde os carroceiros ajudam a embarcar e desembarcar produtos agropecuários. Lá, a Polícia Militar mantém um controle das carroças, por meio do emplacamento desses veículos e do cadastramento gratuito dos donos. A medida visa diminuir o furto de cargas, e inibir o trabalho executado por crianças e adolescentes. Apenas maiores de 18 anos podem se cadastrar. Aproximadamente 400 carroças tem permissão para circular no local, esclarece Adriano Amorim, comandante do Posto Policial do Mercado.


Esse tipo de transporte dispõe de pontos informais espalhados por Juazeiro, onde carroceiros se reúnem, e esperam a solicitação de algum trabalho. A mão-de-obra, nestes casos, é requisitada pela população que necessita de um veículo mais econômico. O valor do carregamento em caçambas ou em carroças custa em média R$ 60. No entanto, o carroceiro realiza quantas viagens forem necessárias para cumprir o serviço, sem cobrar por isso.


Hermelino de Miranda tem 65 anos e é carroceiro há 38. Ele se encontra diariamente no ponto de carroças em frente ao estádio Adauto Morais. Para Miranda, trabalhar com este tipo de veículo se tornou “um sufoco diário”. Com o carregamento de entulhos, ele consegue por semana, de R$ 40 a R$ 50, um valor considerado baixo se comparado ao que ele conseguia na década de 1980. “Eu tirava de R$ 150 a R$ 200 por semana”, afirma.

Atualmente, as lojas de móveis e supermercados possuem seus próprios meios de transporte. Há 20 anos, quem fazia este tipo de carregamento eram os carroceiros, o que aumentava o salário desses trabalhadores ao final do mês. Na região, muitas lojas de material de construção ainda transportam suas cargas por meio de carroças exclusivas.

Em Petrolina, o carroceiro Otacílio Leite de Carvalho, no ramo há 30 anos, acredita que o mercado já não é tão favorável como antigamente. Há 18 anos, ele negociava coco e tinha uma vida cômoda. “Se fosse hoje, eu seria rico. Nunca faltaria dinheiro no bolso. Agora, arranjar uns trocados está difícil”, complementa Carvalho, que, em algumas semanas de trabalho consegue apenas R$ 15.

A maioria das carroças é confeccionada por seus donos, no entanto, ainda existem espaços que comercializam o veículo. O animal preferido dos carroceiros é o burro, que não precisa comer ração e carrega mais peso que o jumento, o cavalo e o jegue. No Salitre, zona rural de Juazeiro, o burro pode ser comprado adestrado por R$ 60. Já na cidade, um treinado para dar ré e carregar peso pode chegar a R$ 1 mil. Bem cuidado, o animal de carga vive em média 10 anos.

No Vale do São Francisco, as carroças fazem parte de um cenário saturado por automóveis. Nas ruas das cidades pólo, os transportes motorizados e os puxados por animais se misturam, causando congestionamento, e evitando o fluxo regular do trânsito. Os carroceiros constantemente sofrem com os xingamentos dos motoristas. Contudo, apesar do contraste entre o novo e o primitivo, as carroças movimentam a economia na região. Por este motivo, sobrevivem até os dias hoje, gerando renda e emprego para aqueles que necessitam, como Hermelino, Otacílio e Suelda.

Texto e imagens: Ilana Copque

25 de set de 2009

Comunicação

© Fausto Albertoni (nós + 2)

Éramos sete, sobreviveram cinco. De vez em quando voltavamos a ser um número par, acabavam os trabalhos, éramos impar novamente. No terceiro semestre, como não menos poderia ser: três, voltamos a ser seis, meu número da sorte. Em meio a discussões de relação, e trabalhos que levavam todo o nosso tempo, menos o apetite, sobrevivemos e sobrevivemos. Nas reuniões descontraídas, o que incluía nossos “agregados”, eu nunca ouvi tanta besteirol, nem tanto sangue jorrar dos cortes feitos pelas línguas afiadas. Na hora de pagar a conta, como perfeitos futuros jornalistas, levavamos todo tempo do mundo para rachar o prejuízo. É a comunicação... é a comunicação.



23 de set de 2009

Sem vento

© Imagem da internet


O calor encolheu o meu cérebro, enxugou a minha roupa, e queimou o meu bom senso. Quantos graus acima para chegar ao inferno? O céu está azul, o rio é anil, a serpente corre, rasteja. Eu aqui, impregnada de suor, imponho a minha música, imponho aquela música, grito ao som da música.



21 de set de 2009

O último fim

© Pedro Alexandre Dourado

Aquela brincadeira falada,
meio embriagada
veio ao som de tamborins


19 de set de 2009

A vista do ponto

©Imagem da internet


Ela tentou se olhar de todos os ângulos do espelho, mas todos aquelas direções ainda não eram todas as direções possíveis. Ela se olhou por si mesma, do pescoço para baixo, e a imagem que viu não era a mesma do artefato preso na parede do seu quarto. Encarou-se um pouco mais, ainda assim não conseguia reparar aquilo que todos comentavam. Chegou a conclusão que poderia ser a roupa a responsável por aquele camuflar visual. E lá estava ela, nua e insegura de si, enfrentando seus fantasmas e criando suas próprias perspectivas. Frustrada, por não alcançar conclusão alguma, em um ato desesperado retirou todos os espelhos da casa e os reuniu na caixa abafada que era o seu quarto. Quase conversou com as garotas refletidas, quase. Era ela demais para o seu gosto, mas ainda assim não era ela.

17 de set de 2009

A bunda

© Ilana Copque


A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora -- murmura a bunda -- esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem.
Ondas batendo
numa praia infinita.Lá vai sorrindo a bunda.
Vai feliz na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda, rebunda.


CARLOS DRUMMOND

Dá-me a tua mão

© Imagem da Internet

Dá-me a tua mão: Vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi a minha busca cega e secreta. De como entrei naquilo que existe entre o número um e o número dois, de como vi a linha de mistério e fogo, e que é linha sub-reptícia. Entre duas notas de música existe uma nota, entre dois fatos existe um fato, entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço, existe um sentir que é entre o sentir - nos interstícios da matéria primordial está a linha de mistério e fogo que é a respiração do mundo, e a respiração contínua do mundo é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio. (Clarice Lispector)

14 de set de 2009

Sexta- feira

©Imagem da internet

O relógio da cozinha há muito havia marcado 00h00. Àquela hora, minha única confidente era a velha cachorra, que por vezes continuas, com aqueles olhos onipresentes, que tudo vêem, me recriminou pelas fugas imaginárias desencadeadas durante as sextas-feiras. Desconecto-me do mundo por alguns instantes, e vivo os personagens baratos dos romances de banca de revista, só para ter o que fazer e, esquecer o meu próprio não romântico caso. É divertido ler esses quase fairy tales, entedia-me apenas os finais padrões, sempre os pulo. Mãe solteira de 46 anos, que já passou por inúmeras experiências platônicas, acho tolice acreditar em finais de princesas.

As meninas, não sei por que ainda as chamo assim, dormem desde as 22h. Aos sábados, Amanda, 21 anos, estagia, enquanto a Suely, minha caçula, que está no terceiro ano, tem provas preparatórias para o vestibular, que ocorrerá daqui a três meses. Ambas caminham para sua própria liberdade, embora ultimamente tenham se preocupado com a minha.

Talvez elas pensem que não ouço os sussurros de preocupação. A mais nova, e mais impulsiva, já chegou a vasculhar meu celular atrás do número dele. Aquilo realmente me angustiou, pois com toda intimidade familiar, e por mais que elas acreditem que ele não é meu par ideal, existe entre o respeito mutuo, ou existia até pouco tempo. Nunca revistei suas bolsas ou li suas mensagens. Sempre as deixei bastante à vontade para tomarem suas próprias decisões, apesar de tentar orientá-las através daquilo que considero o melhor caminho.

Cada qual em seu quarto, cada qual com suas intimidades. Por hora, parecemos desconhecidas, moradoras de um mesmo cortiço, onde apesar de conhecermos, quando as portas se fecham, damos vazão a nossa bagunça e ânsia interior. Diante da solidão, visualizamos a o que realmente somos. Por vezes me assustei ao deparar com o que me tornei.

A madrugada é meu momento paz, onde o único barulho provem do andar de cima. Tenho a infelicidade de ter um porco, viciado em sexo e ignorante feito o diabo, como vizinho. As meninas até que gostam de dar risada dos gemidos que as vagabundas dele fazem. Será que ele se vale que no condomínio a maioria dos inquilinos são idosos e, que a audição deles não funciona bem? No momento, só quero me desligar dessa medíocre vidinha. Uma necessidade desfrutada apenas as sextas-feiras.


13 de set de 2009

Maglore


Um colega meu, Nery, faz parte da Maglore e, há algum tempo me enviou o link pra que eu visitasse o Myspace da banda, mas apenas hoje consegui e lembrei de acessar. Curti demais o som, por isso fica ai a dica pra quem quiser ouvir algo legal nesse domingão.


Formada em 2009, a Maglore, cujo nome pode ser um trocadilho abstraído de "Minha glória", do inglês "My glory" (e também um nome de tribo africana ) propõe a sinestesia musical entre cores e som, trazendo elementos musicais de lugares diversos do mundo, como a mesclagem do folk e do rock britânico com harmonias latinas e letras nostálgicas, em referência aos melódicos cantores de rua, cariocas dos anos 30. O que se vê é um Rock Tropical, um som em cores. A banda lançou no fim de agosto de 2009 seu primeiro EP, produzido pelo polivalente Jorge Solovera. Aos cuidados das minúcias do entusiasta Eric Pretti [ teclado, escaleta ] a irreverência criativa de Nery Castro [ contrabaixo ] e a firmeza serena de Igor Andrade [ Bateria ] é que Teago Oliveira [ Guitarra, Voz ] reune o grupo para tornar séria a brincadeira mais divertida do mundo: Fazer um som.

http://www.myspace.com/maglorebanda

11 de set de 2009

Aportados



Em algum lugar próximo a Península de Marau/ Costa do Dendê- BA


4 de set de 2009

Fim de tarde

© Imagem da internet

Eu moro no mesmo prédio em Salvador há cinco anos. Nesse meio tempo, o som que por vezes embalou minhas tardes e atrapalhou o meu sono, foi o de um saxofone. Creio que acompanhei a rotina de desenvolvimento do artista, que ainda hoje toca o instrumento. Suponho que seja um rapaz, não tenho certeza, mas também não há uma razão específica para tal pensamento, é apenas o que gosto de imaginar, um jogo sem sentido. Talvez eu siga a mesma linha de raciocínio para os nome das músicas: a maioria não tenho nem noção de onde saiu e, para torná-las mais intimas, dou-lhes apelidos. Énessa hora que penso em quem as toca, nada que me faça perder o sono.


Nem sempre admirei o som desafinado que, sem pedir licença adentrava o apartamento. Quando eu estava fazendo algo, a “zuada” me deixava inquieta. Nessa época, o rapaz certamente havia acabado de adquirir o instrumento, e eu, impaciente, não via a hora dele terminar o ensaio ou pagar uma hora em um estúdio. Hoje, de passagem pela minha terra natal, sinto falta até do cheiro de mar, mesmo ainda evitando as praias. Sozinha em casa e rodeada pelo silêncio, gosto da intromissão produzida pelo saxofonista, agora ele merece o título. O som e o tom me fazem bem, embalam meus saudosos fins de tarde.

3 de set de 2009

Quando o 6 é 9


Coloquei os óculos escuros, a fim de evitar que interpretassem, através do olhar, aquilo que calo com a boca. Eles sabem que tramo uma conspiração. Eles acreditam tanto em conspirações, que nem acreditam quando uma dá certo. Talvez a bomba nem exploda, mas já domino parte do território.


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